Elegia

Me tem na língua, meu aroma impregna teu corpo, no fundo você me evapora. Quando me cheira, mesmo cercado por tanta gente, é como se dançássemos sozinhos por essas calçadas fétidas que pisas, teu caminhar, viajantes olhos, tantos sonhos, teu níquel curto que se multiplica numa divisão de pães líquidos, acho lindo tudo isso sabia?. Fico excitada, sou toda água, quando você acaricia o bojo que me cerca, sedução que me pega enquanto destila versos. Logo escuto tua gargalhada tonta, de soslaio observo o puxar fundo no tabaco, que incensa de perfume a noite, você disseca vida em toda a sua plenitude. Guardo aquele retrato até hoje, para você deve ser uma passagem sem importância, não te culpo, sei que tua memória transita pelo tempo, seremos saudade um dia, estaremos juntos, ficaremos na eternidade. Ao som desse saxofone sem fim, cobertos por estrelas. Passeio por teu fluxo de pensamentos, uma brisa leve sopra, finalmente sós, se desprenda dessa pena e penetre pela ultima vez a sua Maria da Cruz.

 

 

 

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