de passagem

sentada com a mãe no assento anterior ao meu, a criança lia em voz alta todas as placas, deve ser este o terceira estágio da existência, caminhar, falar, ler puxa, antes de tudo tem o pensar, se sentir dentro desse mundinho, de quantas etapas é composta a vida? esbaforida, se sentou ao meu lado a moça, pele repleta de sono, se ajeitou, abriu a bolsa, de lá retirou um estojo, uma base para corrigir a manhã, aos poucos com um pincel acertou o tempo, o batom pintou lábio nu que podia ter ficado como estava, acontece, que era no tom do esmalte, ela se cobria em tons harmônicos, era cinza a manhã, colocou óculos de grau, através de suas lentes viajava eu em versos buscando o sol, ofereceu o seu lugar para uma senhora, corado de vergonha ofereci o meu, a bondosa anciã recusou as ofertas, rimos os três, a distância entre nós se foi, podíamos percorrer nova via, mas era tarde, em segundos o ponto na estação de metrô. deu tchau, foi, não portava fragrância artificial, seu aroma era de tempo de inocência, a criança do banco da frente adormecia, se era menina, menino, não sei, assim como jamais saberei o nome da guria.

de-passagem

 

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