Putz!

Na sonolência fui atender estridente obsoleto aparelho, que só está ali para diminuir o preço do combo, as coisas ultimamente tem que ser feitas desse jeito mas, o produto final é  lixo que não se recicla. Devia ser engano pensei, não era, também não se tratava de voz conhecida, Dejanira, psicóloga me disse, confesso que a fala dela puro veludo foi alento sol na manhã cinza. Sei que a vida não tá Freud prá ninguém, já cortaram o bolo da tarde na repartição, no que posso ajudar pessoa que estudou Lacan? Disse que minhas frases de efeito do tipo, tá no inferno abraça o diabo ou faz um lanchinho com toda viadagem, tira o miolo, e manda um mineiro quente com orégano e tomate, faziam com que seu paciente Ivan saísse da melancolia e desse umas gargalhadas. Nem preguntei quem era o dito cujo, logo me lembrei do poeta do guichê trinta e seis. Eu referência? fim dos tempos enfim, no que podia ajudar? Ela queria um lero qualquer (eficiente a moça pensei), quem sabe uma caipirinha? De pronto aceitei. Queria ver se de repente rolava uma parada Reicheana. Combinamos um butuiquim próximo ao trabalho. Trocamos algumas informações de como estaríamos vestidos para facilitar a coisa. Despertado daquele jeito, não era pedido de doação, nem Moacyr Franco vendendo ginkgo biloba, banho e pé na estrada.

Cheguei antes que ela, fiquei imaginando como seria a figura, tantos grilos de cucas alheias (desculpe, quando me empolgo utilizo gírias do passado), teria um batom ao menos nos lábios? Quando ela chegou já bateu um Reich em mim, como que diante daquela beldade, o fulano da cabine 36 podia falar das baboseiras que digo, algumas que nem me lembro, como as que ela relatou pela manhã? Não queria que tivéssemos um papo candinha ( tipo fofoqueira), só sabia do cara que ele escrevia e um dia pensou em usar batina. Com toda a habilidade barista, papinho furado, chopinho, petiscos, foi se soltando, falou do método que utilizava, que não escarafuncha o passado do paciente, o nome do psicanalista é parecido com o de uma cerveja preta artesanal, disse que fazia um bom tempo que pensava em fazer contato comigo, enquanto falava, só viajava no decote, nem ouvia direito. Piadinhas, outros traguinhos, a carne é fraca, em sua vida de análises, pessoa repleta de cultura, poucos caras vão se arriscar, assim fica a vida, não gira amor, ela estava naquela de dar dó, precisava de um ombro amigo, não era exatamente um amigo, um ogro, lobo babando, acabou topando conhecer o meu chatô. Tremendo frenesi, não sei se existe definição clínica para o que fizemos, tanto que a velhinha do 202 bateu no teto dela chão meu, não era qualquer batidinha que iria colocar fim naquela volúpia, até que de repente o que era bom chegou ao fim, aquele silêncio clássico no refrear da respiração, balões de pensamentos ocupando o espaço, foi aí que a porca torceu o rabo:

– Seu apartamento é bem organizado.

– Sempre gostei das coisas em seu devido lugar.

– Obrigada por não ter fumado, tenho renite, mas já tinha me preparado.

– Putz.

– Aconteceu alguma coisa?

– Você queria falar era com o Valmir

– Você me confirmou pelo telefone, no bar pintou uma química tão boa, que nem falamos os nossos nomes direito, como se a gente já se conhecesse.

– No sono confirmei, eu sou o Valdir, aluguei o apartamento dele tem seis meses.

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