A gente se vê

Ela é tão linda, pode acreditar nessa fita que te digo agora sem compromisso nenhum, no fundo você não tem nada a ver com isso, nem expectora esse ambiente, ela despertando cheiro de hortelã coisa de amor que suporta qualquer odor, esse sentimento que carrega o desjejum para a cama, destila a manhã e puta papinho brega né não? o lance é que com tantos atributos ela não saca nada de Gal Costa, cara, isso é o fim podes crer assim como acreditar que ainda existe uma saída para esta canalha que impera o Congresso, viva o Barão de Itararé de que esse mundo é redondo mas tá ficando chato, sei lá não sei, sexo é vida e coisa e tal mas nem com a bandeira do MENGÃO na parede do quarto dá para suportar não curtir FA-TAL, é coisa da maior importância estar fora de casa e não ter compromisso em desplugar o MP3, bater pé, partir, deixando debaixo do  abajur um poema de adeus, porra, devia ter usado carbono afinal, o texto estava até bom, acho que ela não vai sacar essa partida por causa de Maria da Graça, querubim, marfim, na escola namorei uma Graça, sempre fui de poucos amores, tinha olhos lindos ela, era cheirosa e tivemos uma parada meteórica, curtimos cinema, nos amassamos no vão livre  da MASP, tremenda arquitetura, tudo era lindo, tinha inflação, a gente podia deitar o cabelo em qualquer canto, eu era hippie, ela não, queria futuro decente ainda sem concluir o colegial, era assim naquela época, o ensino era um pouco melhor, me trocou por um acara que tinha carro, uma máquina, ela foi, fiquei numa boa escutando Pink Floyd, teve um dia que até chorei mas, saquei que a solidão é boa, melhor sozinho vez em quando, estou de novo nessa de fazer a minha estrada, a filha está no  Japão ganhando uns trocados, me manda algum, as sobras me interessam, sempre gostei de reciclar manja?, a ex-mulher se casou com um cara que toca pandeiro no bar do Alemão, vou lá vez em quando ver o sorriso dela, ainda está límpido, impávido e no fundo bem no fundo paga uma rodada de cachaça e por dentro ri da minha cara, tudo bem não faz mal, se não preciso de muito dinheiro graças a deus, ainda gosto de caminhar pela avenida alimentando o colesterol do bem, hoje é domingo, dia de não se fazer nada, abrir a casa, deixar o sol entrar, esquecer de Luli que ainda não deve ter lido o que escrevi, deve achar que é um recado de que fui ao mercado, nunca lê o que eu escrevo melhor assim, vai ficar na espera do almoço, tem uma Baden guardado, vou chamar o Tibiu e o Ronaldo para uns tragos, uma massa, encher de aroma o quintal num dolce far niente colossal, a gente se vê em páginas futuras mas, se quiser pode aparecer ainda moro no mesmo lugar, evoé.

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